Referências – Economia Brasileira

Primeiramente, uma geral sobre o exame de Economia Brasileira e suas muitas particularidades. A prova de Brasileira é a única da ANPEC que tem uma parte objetiva e uma parte discursiva. Por causa disso, é a única prova que tem duração de três horas, ao contrário das outras provas que possuem duração de duas horas.

Porém, existem muitos centros, especialmente entre os mais concorridos e aqueles mais focados em economia aplicada (tais como USP, FGV, PUC-RIO, UFV, dentre outros) que dão peso zero para as duas provas. Toda a prova de Brasileira é completamente desconsiderada nestes centros, e muitos candidatos focados nestes nem chegam a tocar no conteúdo.

Muitos centros, ainda, consideram a parte objetiva com peso igual às outras e desconsideram a parte discursiva, tais como UnB e UFMG. Existem ainda centros que consideram só a discursiva, como a UFRJ, e centros que consideram as duas, como UNICAMP, UFF, UFU, etc.

Ressalto aqui, portanto a importância de abrir o último edital para o exame ANPEC disponível e ver os pesos que os centros de seu interesse dão para cada uma das provas. Isto é especialmente importante para definir que estratégia será adotada no estudo de Economia Brasileira (se é que esta será estudada para início de conversa).

A prova discursiva de Brasileira traz consigo cinco questões abertas, e o candidato devem escolher somente uma das cinco para responder, podendo usar até 120 linhas (o que é muita coisa).

A prova objetiva de Brasileira segue os mesmos moldes das outras provas da ANPEC, com 15 questões; a diferença está somente no fato de que não há nesta prova questões abertas (do tipo que você responde com um número no gabarito final). Todas as 15 questões são de verdadeiro ou falso.

Chama a atenção o peso relativo e a indefinição temática de “Temas Transversais”; estas questões costumam abordar temas que atravessam diversos períodos da economia brasileira, frequentemente fazendo um paralelo com os mais recentes governos Lula (2003-2010) e Dilma (2011-2014).

Os “Temas Transversais” mais abordados são a abertura comercial (especialmente a promovida no período Collor-Itamar) e o papel do Estado na economia (abordando todos os períodos). Além destes aparecem questões sobre desigualdade e distribuição de renda, mercado de trabalho e desemprego, instituições, dívida externa. Na prática, pode cair praticamente qualquer coisa sobre a economia brasileira de 1889 até 2019, além da teoria de qualquer autor presente na extensa bibliografia sugerida de 19 livros.

Temas Transversais

Por isso, de certa forma, a prova de economia brasileira pode ser a mais difícil de se preparar devido à imensa variedade de assuntos a serem cobrados, e mesmos candidatos que se preparam com afinco para essa prova podem não ter uma nota tão alta. Nos últimos 8 ou 9 anos, a prova se tornou menos apegada ao conteúdo “padrão” dos períodos, e as questões transversais e diversas se tornaram cada vez mais comuns. No exame de 2019, o que fiz, sete das quinze questões não poderiam ser enquadradas em um só período da história econômica.

Questões: Prova Objetiva
Questões: Prova Discursiva

A bibliografia para o estudo de economia brasileira se centra em duas principais obras (que também são as mais usadas no ensino desta disciplina nas faculdades): A Ordem do Progresso de Abreu et al (o que eu uso é a terceira edição, que aborda de 1822 a 2010) e Economia Brasileira Contemporânea  de Gimbiagi et al. (uso a segunda edição, que vai de 1945 a 2010).

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O Abreu tem como característica uma leitura mais pesada, densa e completa, enquanto o Giambiagi tem um estilo bem mais curto e resumido, sendo em geral mais apropriado, especialmente para os candidatos mais interessados na parte Objetiva. De um jeito ou de outro, considero o estudo pelo Giambiagi indispensável para todos os candidatos.

Como complemento a estes dois, para os candidatos interessados em se aprofundar no conteúdo, pode se adicionar o clássico Formação Econômica do Brasil de Celso Furtado que nas partes quatro e cinco (capítulos 16 a 36) trata da economia da Primeira República e das políticas anti-cíclicas de Vargas I, além de abordar temas como desigualdades regionais e mercado de trabalho. A interpretação de Furtado sobre o período pós-1929 é tema recorrente de questão, tanto na prova objetiva quanto na discursiva.

Também pode ser útil o estudo do artigo clássico de Maria da Conceição Tavares, Auge e Declínio do Processo de Substituição de Importações no Brasil. A interpretação específica da autora já foi tema de questões da prova objetiva nas provas mais antigas, e também é tema recorrente nas questões discursivas. Além disso, o artigo pode contribuir para um panorama da história da industrialização no país, assunto comum em todas as provas, e é uma leitura relativamente rápida.

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Referências – Microeconomia

A prova de Microeconomia, tal como as outras, apresentou várias mudanças no estilo de suas questões pelos anos. Porém, é seguro dizer que nos últimos cinco anos a prova mostrou um razoável equilíbrio entre questões estritamente teóricas (de V ou F) e questões de cálculo (de V ou F ou Abertas). Outra tendência é de cair menos Economia da Informação, tópico específico que poucos candidatos estudam de qualquer forma, e cair mais questões de Teoria da Firma.

A ordem de estudo das disciplinas não deve ser aleatória, nem exatamente de acordo com a ordem do que cai mais. Para quem tem tempo e para quem não tem tempo para estudar as disciplina com detalhes, a primeira matéria sempre deve ser Teoria do Consumidor. Os estudos de Teoria do Consumidor, das funções de utilidade às curvas de indiferença, fornecem a base para o estudo de Incerteza e Teoria da Firma; o estudo de Teoria da Firma, por sua vez, “abre” o estudo de Mercados, por meio do estudo das curvas de demanda e oferta, custos e receitas, etc.

Nestes quatro conteúdos se cobre aproximadamente 60% do que cai na prova.

Consumidor -> Incerteza & Firma -> Mercados

Com o conhecimento das funções de utilidade e do funcionamento dos mercados, aí se pode partir para o estudo de Equilíbrio Geral e Externalidades e Bens Públicos, assuntos que freqüentemente são temas de questões abertas.

Os tópicos de Teoria dos Jogos e Economia da Informação são relativamente “avulsos” e podem ser estudados em qualquer ordem. Jogos que costuma cair fácil, sempre uma ou duas questões todas as provas. Já Informação possui questões teóricas bem fáceis e questões de conta muito complicadas; mas, como já dito, está cada vez mais raro cair.

Não recomendo que candidatos que tenham tempo muito escasso estudar Informação nem Incerteza. Porém, aqueles com um pouco mais de tempo devem entender pelo menos a parte teórica, porque freqüentemente as questões teóricas destes conteúdos são fáceis.

A bibliografia principal para o estudo de Micro para a ANPEC não tem erro: Microeconomia do Varian, ou Varian “Baby”, para estudantes da pós. Os exercícios em geral cobram mais a parte mais quantitativa, algébrica do Varian do que a forma mais “historinha” do Pindyck, por exemplo.

Os capítulos do Varian se dividem da seguinte forma:

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Os conteúdos de Incerteza e Jogos, marcados com o asterisco, são conteúdos para os quais eu acho o Varian incompleto em relação ao que o exame ANPEC cobra.

O conteúdo de Teoria dos Jogos eu dou preferência para o Fiani, principalmente os capítulos de 1 a 4, mas também o 5 e o 6. Mas fica o aviso: o Fiani conta MUITA historinha. Muita mesmo. Quem lê rápido ou tem manha pra pular os parágrafos enrolados, faz bem. Talvez por isso, para alguns, possa ser melhor estudar só o Varian e partir para a apostila de exercícios. Se você lembra a matéria de Jogos de uma matéria da faculdade (a minha tinha uma optativa de Jogos, por exemplo) pode pensar em partir direto para os exercícios das apostilas da Campus.

Se tratando do conteúdo de Incerteza, o Varian aborda de forma suficiente a parte teórica inicial, o modelo CAPM e o modelo média-variância; porém essas partes são as que menos caem na ANPEC. O exame normalmente se foca nas operações com utilidade VNM, coeficiente de aversão ao risco, cálculo de prêmio de risco, equivalente certeza, etc. São conteúdos que aprendi por fora do livro, e gostaria de assim que possível publicar um material de minha autoria deste conteúdo.

Alguns criticam o Varian pela qualidade dos exercícios, e recomendam para tal o estudo com o Nicholson; não cheguei a utilizar o Nicholson na minha preparação, e ainda não posso opinar quanto a isso. Mas quanto aos exercícios, em minha opinião o candidato para ANPEC tem que focar nos exercícios comentados das apostilas após o estudo da teoria, como recomendado na minha postagem sobre método de estudos. Os exercícios do Varian, a meu ver, não são importantes.

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ANPEC Expresso

O ANPEC Expresso foi ideia de meus amigos da UFG, ao voltarmos do exame ANPEC 2019, para que haja uma plataforma completa na internet em que eu pudesse compartilhar todo o conteúdo que produzi em minha longa jornada de preparação para o exame ANPEC. Apesar de haverem algumas boas referências em sugestões a ser encontrado na internet, o interessado no exame ainda carecia de um portal completo, com referências e material de apoio atualizado para todo o conteúdo do exame.

O exame ANPEC não é fácil; na verdade, ele é uma barreira considerável, especialmente para egressos de outras áreas e pessoas que possuem dificuldade com matemática, no sonho que muitos têm em fazer uma pós-graduação conceituada em economia.

Meu objetivo então é ajudar, especialmente os estudantes que não tem condições de fazerem cursinhos preparatórios (que existem em pouquíssimas cidades no Brasil) a se prepararem para esse exame e conseqüentemente para uma pós-graduação em economia.

Aqui eu buscarei publicar toda a minha experiência com o preparo para o exame, envolvendo meu relato pessoal, minhas planilhas de estudo, método de estudo, sugestões bibliográficas… Além de publicar o conteúdo que eu mesmo produzi para o estudo da prova, como uma grande quantidade de resumos de todo o conteúdo.

Tudo de forma acessível, simples e gratuita.